31 de jan de 2017

OS NOMES DE NOSSAS RUAS

Por Adilson Simas


No especial “Caderno da Cidade” que circulou na edição normal do jornal Feira Hoje de 16 de junho de 1978, muitas matérias importantes sobre a Feira de Santana que estava comemorando mais um ano de emancipação política. Com o título “Os nomes de nossas ruas”, vale a pena ler de novo o texto de abertura do caderno:
 
- As atas do nosso Conselho Municipal refletem em suas páginas amarelecidas pelo tempo, a sobriedade, o equilíbrio e o zelo pela coisa pública da parte do legislativo.
 
Conforme o costume da época, os assuntos registrados ficavam circunscritos ao âmbito administrativo. Não havia digressões, a oposição funcionava, mas todos se uniam em torno do bem comum da vida e da cidade.
 
Havia muito pela ausência ou falta dos vereadores. A ata de 27 de março de 1883 consta do projeto de Juvêncio Erudilho, em homenagem ao tenente-coronel João Pedreira, pedindo a denominação do antigo Largo do Senhor dos Passos alegando que o rico proprietário “embelezou a cidade com bons prédios”.
 
A Câmara teve escrúpulos em conceder a honraria ao comendador imperial por ver emprego de capital muito mais do que benemerência pública. A Câmara insistia em investigar reais serviços prestados à comunidade local. O projeto foi aprovado com dificuldade, com maioria simples de quatro votos contra três.
 
Quanta gente que comprou terreno para especulação imobiliária e tem merecido da Câmara nomes de ruas, praças e logradouros públicos! Ilustres desconhecidos, gente que nada fez pela comunidade e, por fins eleitoreiros, estão com seus nomes em placas de nossas ruas.
 
Na sessão de 7 de novembro de 1888 uma “comissão especial encarregada de numerar e denominar as ruas desta cidade”, apresentou a proposta que foi aprovada:
 
Conselheiro Franco, antiga Rua Direita, do Largo da Matriz até a Praça dos Remédios; desta até a Praça da Imperatriz ou do Fumo, hoje denominada General Argolo, fosse denominada Rua dos Remédios.
 
A antiga Rua de Aurora será 24 de Maio, principiando na Rua da Misericórdia até a travessa última que se denomina 24 de Maio, a qual vai até a Praça General Argolo. Conservará o mesmo nome a Rua Conde d’Eu, que principiará na Praça Pedro II até as Praças João Pedreira e Comércio.
 
Será denominado General Osório a começar na Praça do Comércio, em frente aos açougues até a Praça General Argolo. A Rua Senhor dos Passos principiará na rua Almirante Barroso até o Campo General Câmara.
 
A Rua 28 de setembro, da Praça Pedro II até onde findar a rua que segue para o lugar denominado Olhos d`Água; Rua da Misericórdia principiará do Campo de Sant’Anna até onde terminar a rua que vai para o Rio Jacuípe e Pedra do Descanso.
 
A Rua Almirante Barroso começará de Conde d’Eu, transpondo a Rua do Senhor dos Passos, terminará onde findar a antiga Rua do ABC.
 
O antigo Beco do Mocó ficará conhecido pelo nome de Rua Sete de Setembro; Rua Visconde do Rio Branco principiará na Rua Almirante Barroso, em frente a casa da chácara de José Antunes Guimarães, a seguir até o Campo General Câmara, onde, de futuro deverá ela terminar.
 
A Rua do Guarani principiará da Rua Senhor dos Passos até  encontrar a nova Rua  Visconde do Rio Branco; a Rua Duque de Caxias começará na Praça dos Remédios, atravessando a Senhor dos Passos, terminará na Conselheiro Franco e Osório, terminará na Senhor dos Passos; a Rua   das Ganhadeiras ficará sendo o antigo Beco de Ribeiro; Rua do Fumo principiará na 24 de maio e terminará na Praça General Argolo. 
 
A General Pedra começará na Rua 24 de Maio e terminará no Campo General Câmara, acompanhando o antigo Beco do Castanedo; Rua do Calumbí principiará na Rua 24 de Maio e terminará na última casa da estrada do mesmo nome.
 
Voluntários da Pátria começará na Praça General Argolo e seguirá pela estrada de Canavieiras; a Rua São José principiando na mesma praça seguirá para a  Freguesia de São José; Rua da Gameleira será a antiga Ponto Seguro.
 
As sete praças serão denominadas: Pedro II, Sant’Anna, Comércio, João Pedreira, Remédios, General Argolo e General Câmara.
 
Os seis becos ficarão conhecidos pelos nomes de Recreio Teatro, Asilo, Praça, Galo e Gado;
As seis travessas serão chamadas de Rua Conselheiro Franco, da 24 de Maio, do Almirante Barroso, do Senhor dos Passos, dos Remédios e da Rua Conde d`Eu”
 
A ata da nomenclatura de ruas registra a existência de um mapa na repartição. 
 
Em 1881, na sessão de 3 de novembro se encontram referências à Rua das Convertidas, “cujos quintais davam para a Praça da Matriz”.
 
Em muitas cidades colônias existiram irmandades ou associações de velhos penitentes. É conhecida a Irmandade da Boa Morte de velhas que na sua mocidade, tiveram vida alegre. O mesmo existia em Jacobina até pouco tempo.
 
A denominação de “Convertidas” e na proximidade de templo principal nos levou ao raciocínio de comunidades desse tipo.
 

É o retrato da Feira bucólica, comercial, ainda marcada pela Guerra do Paraguai, na denominação de seus vultos nas vias públicas, vivendo os últimos dias do Império, com os fatores econômicos do boi e do fumo, as atividades e as crenças de nossa gente. Tudo está descrito na ata do Velho Conselho Municipal. 

(Adilson Simas)

Enviado por Secom / PMFS

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