1 de mar de 2017

Sobre aproximar e afastar (feito ao voar)

 

Aproximar e afastar são distintos e juntos.
São perspectivas de lugar.
Não é um rompimento,
É uma continuidade,
É um ir e vir,
Um deslocamento da pele na pele,
Dum corpo em outro corpo.
São bocas que se atraem, se aproximam,
Mas também se afastam,
Tomam outros rumos,
Vão para outros lugares.
Línguas que se misturam,
Se fortalecem
E vão arrepiar ao beijar a orelha.
Dentes que se vêem juntinhos,
Para depois morder os ombros, os dedos, os lábios (sejam eles quais sejam).
Mãos que se dão
E se lançam nas coxas,
Nos seios,
Sem rodeios ou receios.
Língua que desce da nuca aos pés.
Com misteriosas paradas no umbigo e no interior ...
Todo por prazer e amor.
Língua que conta segredos molhados,
Quando volta a nuca,
Pelo pescoço e orelha passeia.
Sofreguidão e muito tesão estão aí a mão cheia.
Língua que dá aula sobre infinitivo: beijar, fustigar, lamber, chupar, aproximar, afastar ...amar.
Língua que sabe falar,
Mas também calar.
Língua que intui aproximação sem pressa.
E com ou sem conversa,
Ao sabor do vinho ou do café
Ocupar você inteira, mulher.
Língua que entende o afastar,
Desse que é um procurar,
Que possui um arfar,
Que não clareia,
As vezes tombeia,
Tal qual noite de lua cheia
Que se faz minguante aos amantes.
Língua que sabe ser lança,
Ser criança
Tudo querer lamber,
Experimentar.
Aprender a degustar.
Língua que o coração bombeia,
Que chora ao salivar
E ao se afastar da outra língua,
                          Deseja aproximar,                        
E então enroscar
E lá morar,

Sempre entre aproximações e afastamentos simplesmente festejar e plenamente sentir o gosto do seu corpo inteiro tremendo ao gozar.

Everton Nery Carneiro

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